Pulitzer Center Update Fevereiro 12, 2025
Pulitzer Center promove rede de discussão de professores e concurso de ensaios para ouvir a visão dos jovens sobre seu território
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Estudantes do ensino médio de três estados da Amazônia passaram por uma rica experiência de observar o mundo todo por meio de reflexões feitas a partir de suas próprias escolas e comunidades, utilizando reportagens do Pulitzer Center como principal ferramenta. Com a orientação dos professores-formadores, desenvolveram argumentos sobre assuntos nacionais e internacionais que acontecem nas suas cidades – como as belezas e diversidades brasileiras, a crise climática, as lutas por direitos dos trabalhadores, os debates científicos nas universidades, as relações humanas, os meios de comunicação – e assim passaram a pensar nas mudanças sociais necessárias para qualidade de vida no planeta. O resultado foi um despertar importante para toda a vida.
Esse mergulho reflexivo foi realizado em escolas de cinco cidades do interior de três estados da Amazônia, em Itacoatiara no Amazonas, Imperatriz no Maranhão, Marabá, Rondon do Pará e Bragança, no Pará – por meio do projeto “Crônicas da Amazônia: a visão dos jovens sobre seu território”, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP) e as organizações Pulitzer Center e Maré da Ciência. As escolas convidadas para a experiência receberam propostas de atividades relacionadas a eixos temáticos – oceanos, florestas, clima e trabalho. Elas implementaram essas propostas no segundo semestre do ano letivo de 2024.
Foi depois dessas discussões que Laura Carvalho Scarcella, de 17 anos, começou a imaginar a personagem central de sua redação “O silêncio da chuva”: uma moradora de palafita na Amazônia que espera a chuva na janela. “Ela respirou, cansada. Quem diria que até a chuva sabia de que lado cair? ‘Vocês precisam lutar por justiça!’, dizia o jovem advogado que tentava ajudar a comunidade cujo rio fora poluído pela cidade. “Quando a água viesse, traria não só a sujeira do rio, mas também o peso das decisões que nunca foram suas”.
“Eu tenho uma pegada poética”, conta Laura. Ela está no segundo ano do ensino médio, do Centro Educa Mais Tancredo Neves, em Imperatriz, e seu texto ficou em primeiro lugar na competição criada pelo projeto no seu município. Com a nova experiência do projeto, seu olhar foi incrementado. “Pude me conectar. A gente mora na Amazônia e não conhece. Aprendi muito sobre história e a diversidade da floresta”.
A experiência teve ótimos resultados. “Fiquei surpresa”, revela a professora Elaine Javorski, uma das responsáveis pelo projeto na parceria com a faculdade de comunicação da UFMA, que também teve a participação da comunicação da Unifesspa. Ela explicou que as universidades contribuíram com a escolha das escolas e dos professores. Tatiana Vetillo, freelancer pelo Pulitzer Center, facilitou a formação dos professores, que, por sua vez, orientaram os alunos não apenas nas atividades para o desenvolvimento de visão crítica sobre os assuntos pautados, mas também para a elaboração de textos. “Essa foi também uma parte importante do projeto. Porque não adianta tanto ter visão crítica. Se não se coloca no papel, fica somente na ideia”. Elaine ainda considerou muito importante a materialização desses conteúdos, que animaram mais ainda as turmas em sala.
O interesse foi tão grande que em alguns momentos as atividades avançaram sobre o horário da aula seguinte. Como conta a professora Camila, do município de Rondon do Pará. “Como já conheço a turma, noto que o envolvimento deles aumenta quando o tema tem mais conexão com a realidade em que vivem”. Ela acredita que mesmo a abordagem de assuntos referentes à Amazônia – que é o bioma onde vivem – se torna mais interessante se os exemplos fazem parte do dia a dia deles, e as reportagens do Pulitzer Center foram muito importantes para começar esse diálogo com os alunos. “É necessário que o assunto seja ainda mais próximo, para despertar mais interesse, até porque cada região tem suas particularidades”. Durante as discussões, os alunos pensaram sobre suas realidades e destacaram problemas como o saneamento básico. Mencionaram, por exemplo, uma sorveteria onde costumam ir, mas que fica próxima a um esgoto com um cheiro insuportável. Aproveitei para falar sobre tratamento de lixo. Também falaram sobre os caminhões que passam carregados de madeira e ninguém fiscaliza” contou Camila.
Nas escolas que trabalharam o tema do saneamento básico, os professores colheram comentários dos alunos sobre suas observações a respeito da cidadania. “Tem muita gente que nem se importa com essas coisas de esgoto ou nem sabe como uma cidade deve ser de verdade, por isso as pessoas não reclamam, elas não sabem quais são os direitos que têm, aí nem ligam pra comer sorvete no meio do esgoto”.
A professora contou que alguns estudantes ressaltaram a possibilidade de replicar exemplos positivos que também foram discutidos, como nos sistemas agroflorestais de suas comunidades e que esses conhecimentos poderiam ser repassados por meio de políticas públicas. “Eles acreditam que parte dos problemas ambientais acontecem por falta de conhecimento”. Mas os formadores não deixaram de falar sobre incêndios provocados por ações criminosas. “Também discutimos sobre os dados apresentados na reportagem, que apontam que a maioria das queimadas são causadas por médios e grandes produtores”, relatou outra professora.